Comunicado de Imprensa
11 OUTUBRO - DIA MUNDIAL DA OBESIDADE
Sociedade Portuguesa para o Estudo da
Obesidade (SPEO)
“É preciso acabar com o
estigma da obesidade e promover o acesso aos tratamentos desta doença”
Lisboa, 09 de outubro de 2018 – A obesidade é um dos mais sérios
desafios da Saúde Pública do século XXI, tendo já atingido proporções
epidémicas. O excesso de peso e a obesidade estão associadas à morte de pelo
menos 2,8 milhões de pessoas todos os anos. Em Portugal, estima-se que mais de
metade da população tenha obesidade ou pré-obesidade. No Dia Mundial da
Obesidade, que se assinala a 11 de outubro, a Sociedade Portuguesa para o
Estudo da Obesidade (SPEO) alerta para a necessidade de acabar com o estigma da
obesidade e para a urgência de tratar a obesidade nas primeiras fases da doença,
possibilitando-se acesso à terapêutica farmacológica, que até hoje não é
comparticipada em Portugal.
“A obesidade é uma doença
crónica, complexa e multifatorial que ultrapassa as escolhas individuais. A
ideia estigmatizante de que a pessoa com obesidade é responsável pela sua
condição, por ser “preguiçosa” ou não ter autocontrolo, retira o profissional
de saúde da equação da eficácia do tratamento, responsabilizando unicamente a
pessoa pelo sucesso do mesmo. Isto só contribui para o aumento dos níveis de
obesidade e para o atraso e insucesso do tratamento. Devemos lutar para que
todos os profissionais de saúde tenham acesso a formação especializada em
tratamentos eficazes, para que adotem um discurso não estigmatizante e para que
todos os indivíduos com sobrepeso tenham acessibilidade plena ao tratamento
integral da obesidade. Já se tem feito bastante para melhorar o acesso às
cirurgias bariátricas, indicadas na obesidade mórbida, mas é preciso tratar a
obesidade desde a fase inicial. Para que isto aconteça, é urgente que
terapêutica farmacológica seja comparticipada e, assim, acessível a todos. É
preciso acabar com o estigma da obesidade e promover o acesso ao todos os
tratamentos desta doença”, destaca Paula Freitas, presidente da Sociedade
Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO).
A obesidade está associada a um
decréscimo da esperança média de vida e da qualidade da mesma, estando
associada a problemas de saúde como diabetes mellitus tipo 2, hipertensão
arterial, dislipidemia, outras doenças metabólicas,
respiratórias, cardiovasculares, ósseas e vários tipos de cancros.
“A responsabilidade da obesidade
deve ser partilhada pela sociedade e é necessário um apoio positivo e uma
narrativa de responsabilidade de todos os profissionais de saúde e da sociedade
em geral de modo a aumentar a eficácia dos cuidados de saúde das pessoas com
excesso de peso e obesidade. Prevenir e tratar a obesidade significa ter uma
sociedade mais saudável e com uma vida mais longa. Significa ainda menos custos
para os sistemas de saúde – estima-se que os custos direta e indiretamente associados
à obesidade estão na ordem dos 300 mil euros por ano em Portugal ,
sendo que a nível europeu, o peso da obesidade pode ultrapassar 10 mil milhões
de euros em custos de saúde.
É preciso mostrar às entidades de saúde competentes e aos políticos o impacto
económico da obesidade, quer os custos diretos quer indiretos, que a curto e a
longo prazo são maiores do que disponibilizar tratamentos adequados mais
precocemente e antes que as múltiplas complicações associadas à obesidade se
instalem.” acrescenta a representante da SPEO.
O aumento global da prevalência
da obesidade é um problema de saúde pública com grandes custos para os sistemas
de saúde. Estima-se que mais de 20% da população mundial será obesa em 2025 se
não forem adotadas medidas que travem esta evolução.
Segundo o último estudo
português, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP),
estima-se que, em Portugal, mais de metade da população - mais de 6 milhões de
pessoas - tenha obesidade ou pré-obesidade.
“Uma vez que está comprovado, por
vários estudos de relevo, a perda de peso, mesmo que na ordem dos 5% a 10%,
pode trazer benefícios para a saúde, reduzindo o risco de diabetes tipo 2 e de
doenças cardiovasculares, melhorando a pressão arterial e reduzindo a gravidade
de apneia do sono, tratar farmacologicamente, através de inibidores de apetite,
a obesidade desde as fases iniciais, é promover a curto e longo prazo a saúde
geral dos individuais”, conclui Paula Freitas.
Sobre a Obesidade:
Segundo o Instituto Nacional de
Estatística, há 1,4 milhões de pessoas obesas em Portugal o que faz de Portugal
um dos países com maior taxa de obesidade na União Europeia. A Obesidade é
considerada pela Organização Mundial de Saúde como a epidemia global do século
XXI.
De acordo com a Organização Mundial
de Saúde, a obesidade alcançou as proporções de pandemia, com mais de 1,9
biliões de adultos (acima dos 18 anos) com excesso de peso (IMC> 25 kg/m2).
Deste grupo, mais de 600 milhões de pessoas são obesas (IMC> 30 kg/m2).
A obesidade é uma doença que requer
uma gestão a longo prazo. As comorbilidades relacionadas com a obesidade
incluem a diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, síndrome da apneia
obstrutiva do sono (SAOS), alguns tipos de cancro, infertilidade, doenças
articulares e ósseas, doenças psicológicas, entre outras. É uma doença complexa
e multifatorial que é influenciada por fatores, fisiológicos, genéticos,
endócrinos, psicológicos, ambientais e socioeconómicos.
Sobre a SPEO:
Fundada em 1989, a Sociedade
Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), tem como objetivo principal
promover a investigação e a divulgação de conhecimento relacionado com a
obesidade e os aspetos relacionados, dentro de uma comunidade cientifica muito
alargada que inclui investigadores, médicos de várias especialidades,
nutricionistas, psicólogos e fisiologistas do exercício físico, entre outros e
também outras áreas com relevância para a sociedade civil.
A SPEO assegura também a
representação nacional das sociedades científicas e organizações internacionais
dedicadas à obesidade, como a International Society for the Study of Obesity e
a European Association for the Study of Obesity. Para mais informação consulte http://www.speo-obesidade.pt/CDA/HPhomepage.aspx